Debater sobre o luto dos pais em relação a perda de um bebê que ainda estava em gestação não é uma prática comum. Porém, apesar de pouco falado, esse tema é de extrema relevância. Essa invisibilidade dos pais e mães diante da perda gestacional pode gerar muitos problemas, caso o assunto não seja tratado com respeito e atenção.

Para marcar outubro, conhecido como o mês da criança, o Memorial Vera Cruz buscou especialistas no assunto para trazer conscientização sobre a perda de crianças e bebês. Neste artigo, a psicóloga perinatal e idealizadora do projeto Maternando Afetos, Eliane Dall Acqua, destaca pontos importantes sobre a perda gestacional e como devemos tratar o luto. Acompanhe e descubra como você pode ajudar alguém que está passando por essa situação.

O luto pela perda gestacional

Mesmo que o período de gestação tenha sido curto, aquele bebê existia. Dessa forma, os pais, familiares e amigos já estavam construindo sonhos e criando esperanças em torno da criança. Mas então como lidar com a dor da perda de um filho que nem nasceu ou que morreu logo após o nascimento?

A psicóloga Eliane responde que a perda gestacional apresenta riscos para elaboração do luto, pois, na maioria dos casos, faltam rituais de despedida. Quando a família perde o bebê durante a gestação, geralmente não há um velório ou outra cerimônia.

 E além disso, de acordo com Eliane, muitas vezes, quando há o desejo do casal de realizar algum ritual, nem sempre são escutados pelos familiares e amigos, como se esses pais estivessem vivendo um luto que não é autorizado. Mas a verdade é que postergar esse luto, pode fazer com que esse casal sofra ainda mais no futuro, tentando esconder a tristeza e vivendo outros sentimentos que, naquele momento, não o pertencem.

Mudança de visão

A população, por muitas vezes, acredita que não há motivos para sofrer, já que a mãe não deu à luz o bebê. A psicóloga Eliane Dall Acqua, descreve esse momento como um processo de luto e que não passa apenas pelo bebê, mas por todas as expectativas que se criaram antes mesmo dessa concepção.

“A nossa sociedade precisa mudar a visão perante a esse luto do casal, dar o devido valor e respeito necessário para que eles possam passar por esse momento de turbulência com o maior apoio possível”, destaca. É muito importante que os pais possam ter um espaço para chorar, sentir raiva, tristeza e o que for necessário para que eles vivenciem o seu luto, já que estamos falando de uma realidade tão difícil de ser vivenciada, que seja com respeito e com o devido valor.

“Esse silêncio construído ao longo dos anos afeta muita gente. É necessário quebrar esse tabu que os pais não podem sofrer, ou que devem sofrer escondido. Precisamos dignificar o luto do casal, seja pela perda dos bebês ainda fetos ou recém-nascidos, e dar voz a essa dor. Vamos começar a usar os verbos ‘acolher’, ‘amparar’, ‘respeitar’ e todos aqueles que forem necessários pra aliviar a dor dos pais e mães que passam por esse luto”, considera Eliane.

Problemas futuros

Ainda de acordo com a profissional, tentar esconder os sentimentos pode acarretar vários problemas futuros. A desconsideração do papel de mãe e pai aos casais que perderam os seus bebês gera sentimentos de incompreensão, tristeza, raiva, fracasso e, consequentemente, acaba afetando muito a autoestima do casal. Com isso, o desejo por uma nova gestação pode se confundir com dois pontos:

  1. demonstrar socialmente a capacidade de gerar um outro filho
  2. ou o contrário, criar uma pressão psicológica que o casal não tem capacidade de ter outro filho.

Também existe a fantasia de estar traindo o bebê que morreu, quando há o desejo por outro bebê.

Por isso é tão importante cultivar o respeito e deixar claro que o bebê que faleceu terá sim um lugar na vida do casal. Mas isso não significa que outros lugares não possam se construir ao longo dos anos.

É como diz o ditado “dar tempo ao tempo”. Os pais necessitam que seu tempo seja respeitado. O luto não é tão rápido assim. A solidariedade é necessária nesse momento para que as outras pessoas tenham empatia e saibam acolher o sofrimento de quem perdeu um filho.

Eliane Dall Acqua é psicóloga, Especialista em Psicologia da Saúde e faz parte do Clube de Conveniados do Memorial Vera Cruz

A psicóloga

Eliane Dall Acqua é psicóloga, formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Psicologia da Saúde, também pela UPF e pós-graduanda em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online, referência na América Latina nesta área da Psicologia.

A profissional atuou como Psicóloga da Saúde durante 12 anos em uma Clínica Médica, e durante este período também trabalhou como Psicóloga Clínica em seu consultório particular. 

Desde 2018 trabalha exclusivamente com o público feminino. 

É uma das idealizadoras do projeto Maternando Afetos, onde oferece apoio emocional às mulheres que estão vivenciando o Ciclo Vital Materno – Mulheres que estão tentando engravidar, gestantes, mães que tiveram perdas gestacionais e neonatais e mães com filhos até os 3 anos de idade.

Eliane é uma psicóloga conveniada ao Clube de Benefícios do Memorial Vera Cruz e está disponível a todos os beneficiários do convênio. Se você é cliente do Memorial Vera Cruz, informe-se sobre a sua carteirinha do convênio e agende seu atendimento diretamente no consultório da psicóloga Eliane com benefícios exclusivos para você.

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