O Dia Nacional dos Animais é lembrado em 14 de março. Em homenagem aos amores pets, trouxemos à tona um problema muito pouco discutido e, consequentemente, pouco aceito pela sociedade: o luto por animais.

Neste artigo, você irá conferir a história de companheirismo entre Ana Beatriz e Madalena e entender um pouco mais sobre como este tipo de luto funciona e o que pode ser feito para superá-lo. Acompanhe a seguir!

Madalena: do início ao fim

No início do ano passado, Ana Beatriz, 23 anos, perdeu a companhia de Madalena, a “Madá”, como costumava chamar sua gata. Madalena vivia com Ana Beatriz desde a infância. “A Madá apareceu no pátio da casa da minha avó quando eu tinha 9 anos. Acho que ela foi abandonada por perto e eu acabei encontrando-a. Eu lembro bem que ela era muito pequena e estava ferida. Minha mãe e eu levamos ela ao veterinário e ele constatou que a gata tinha menos de um mês de vida. Medicamos e levamos para casa, onde cuidamos dela até seu último dia de vida”, relembra Ana Beatriz.

Mesmo que o fim da vida de Madalena fosse anunciado, visto que ela já tinha 12 anos, a perda da gata foi um processo muito pesaroso. “Em janeiro de 2018 Madá nos deixou. Fazia tempo que sabíamos que ela iria falecer, porque ela já estava velhinha, né? Não enxergava mais, escutava muito pouco, só comia comidas pastosas. Mas, mesmo sabendo que a vidinha dela estava acabando, foi um acontecimento muito difícil de ser superado. Eu e minha mãe enfrentamos um luto muito intenso”, pondera.

Um luto que não foi aceito

Foram 12 anos de histórias. Com Madalena, Ana Beatriz passou a maior parte de sua vida. Foi da infância à adolescência e, depois, à vida adulta. Mesmo que Madá não soubesse, foi a única companhia que Ana teve muitas vezes. Porém, o julgamento das outras pessoas pelo luto de Ana Beatriz e sua mãe não foi barrado por todo o valor sentimental que Madá deixou por esses 12 anos de companheirismo. “As pessoas nos julgavam muito por estarmos de luto. Diziam ‘mas ela era só uma gata, vocês podem encontrar outro gato em qualquer lugar’. E não é bem assim, mas só quem vive essa situação entende a dor que é perder um bichinho que esteve contigo durante tanto tempo, em tantas fases diferentes da vida. Às vezes, a Madalena era a única companhia que eu tinha. Foi muito difícil perde-la”, relata Ana.

O destino dado a Madalena depois de sua morte também não contribuiu para que o luto fosse elaborado de maneira apropriada. “Passo Fundo não tem um lugar onde a gente possa sepultar nossos bichinhos para visita-los quando sentirmos saudades. Então eu pedi para que meu avô fizesse um buraco numa parte distante do pátio e nós enterramos a Madá em meio àquela terra toda. Não é uma experiência bonita de se lembrar. E como esse local onde ela foi enterrada é em um ponto do pátio que ninguém usa, o acesso é difícil e sujo. Eu confesso que nunca mais fui até lá desde o dia em que enterramos a Madalena. Eu me sinto falhando com ela em não ter oferecido um lugar que fosse digno de tudo o que a existência dela significa para mim”, desabafa.

O que especialistas falam sobre o luto por animais de estimação?

“Cada vez mais, os animaizinhos estão dentro do âmbito familiar. Eles são quase como filhos para nós”, aponta a médica veterinária Débora Resende. Desta forma, ela salienta que “essa perda não é fácil e em momento nenhum vai ser”.

A médica veterinária Marieli Krüger ressalta que o luto é um passo imprescindível para a pessoa aceitar a perda e superar a dor, mas que a maneira e a intensidade irão variar muito de uma pessoa para outra. “A forma como é encarada a perda é muito particular em cada um, e também está ligada com a relação que a pessoa tinha com o pet. Temos que sempre respeitar o momento da família; temos que ter empatia pois lidamos com vida e, nos dias de hoje, os pets são membros da família”, explica Marieli.

O que é fundamental para a superação?

De acordo com as médicas, o apoio da família e dos amigos é essencial para o processo de superação da perda. “Conversar com a pessoa sobre o que ela está sentindo, ser solidário e tentar auxiliar no que for possível irá ajudar. Em alguns casos as pessoas precisam, inclusive, de ajuda especializada como a de um psicólogo”, pontua Marieli.

Também é importante, conforme a veterinária, “tentar estimular a pessoa que está no luto a fazer atividades que lhe darão prazer como por exemplo algum hobby, atividade física, meditação, sair com os amigos, para tornar menos doloroso esse momento, respeitando sempre o tempo de cada um”.

A médica Débora afirma que guardar boas recordações do bichinho é uma boa maneira de superar o luto. Além disso, ela sugere que uma nova adoção também pode ajudar a atravessar esse momento difícil. “A gente tem que pensar que um outro animalzinho não vai tomar o espaço daquele que já foi, mas podemos abrir espaço para um novo. Nós podemos ter mais de um amor pet na nossa vida. De maneira alguma um vai substituir o outro. A gente sabe que vai doer, mas às vezes essa dor é boa, é sinal de que temos uma recordação boa desse animalzinho”, frisa.

A despedida também influencia

Assim como Ana Beatriz, muitas pessoas não voltam ao local do enterro. A lembrança é dolorosa e o local, geralmente, traz sensações ruins. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, o lugar onde o pet foi enterrado não é próprio para isso.

De acordo com as médicas veterinárias, um local próprio para o sepultamento dos pets seria ideal, pois “permite que o proprietário possa participar desse momento de uma forma mais humanitária”, considera Débora.

Além disso, existe a honra às memórias que o pet deixou. “O enterro de um pet em algum cemitério pet vai eternizar as lembranças e tornará possível as visitas a ele. Afinal um pet em nossa vida é algo muito especial. Com eles vivemos ótimos momentos e recebemos amor incondicional, o mínimo que eles merecem ao fim de sua vida é um destino apropriado e respeitoso”, finaliza Marieli.