O envelhecimento, em nossa cultura, está ligado a vários significados diferentes. Há quem tenha medo da própria velhice e os que fazem de tudo para evitar seus sinais — como os famosos cabelos brancos e rugas. Há quem considere que a vida acaba quando chega o envelhecimento; outros acreditam que esse é, na verdade, o momento certo para aproveitá-la.

Para além de tudo isso, uma das características mais atribuídas à velhice é a sabedoria. É comum a crença de que pessoas mais velhas sabem mais sobre a vida — por terem vivido tantas experiências — e, por isso, muita gente ouve atentamente os seus conselhos. Agora, imagine poder ouvir os conselhos do seu futuro eu?

Neste texto, reunimos algumas dicas que uma versão mais velha de você poderia dar para o seu “eu” mais jovem. Continue lendo e descubra!

Qual é a importância de refletir sobre as suas atitudes e escolhas?

Refletir sobre as suas atitudes e escolhas significa debruçar-se sobre elas para examiná-las, compreendê-las e extrair delas algum aprendizado — com o qual você poderá se aprimorar e se posicionar de maneira diferente nas próximas oportunidades. A reflexão, portanto, é essencial para se apropriar das suas vivências e transformá-las em experiências que vão contribuir para o seu crescimento.

O envelhecimento e o adoecimento são ocasiões em que, comumente, as pessoas fazem reflexões sobre a sua história. A enfermeira australiana Bronnie Ware, por exemplo, especialista em cuidados paliativos, conviveu com diversos pacientes nesse tipo de situação — muito próximos da morte — e teve a chance de testemunhar quais são os pensamentos mais frequentes diante do fim iminente.

Quais conselhos o seu futuro eu daria para você mesmo?

“The Top Five Regrets of the Dying — A Life Transformed by the Dearly Departing” (“Antes de partir”, no Brasil) é o nome do livro que Bronnie publicou, em 2011, relatando as experiências que viveu com essas pessoas e quais são os maiores arrependimentos dos doentes terminais.

Baseando-nos neles, reunimos os conselhos que o seu eu do futuro poderia dar para você mesmo, em uma versão mais jovem.

Entenda que não é possível agradar a todos

Muitas pessoas, quando estão à beira da morte, percebem que passaram grande parte das suas vidas fazendo escolhas que agradariam ou atenderiam às expectativas dos outros — sejam de familiares, amigos ou da sociedade em geral. Esse, como constatou Bronnie Ware, é um dos maiores arrependimentos dos pacientes terminais.

Por isso, o primeiro conselho do seu eu do futuro é ter coragem para ser o mais fiel possível a você mesmo, ou seja, aos seus desejos e convicções. Tente não se perder tanto no mar de expectativas externas — é preciso encontrar um equilíbrio — e entenda que não é possível agradar a todos (isso já evita um bocado de frustração).

Não deixe o trabalho dominar a sua vida

Imagine chegar à velhice e perceber que você passou a maior parte dos seus dias investindo todo o tempo e energia no trabalho? Constatar que a sua carreira ocupou uma posição tão privilegiada na sua existência que todos os outros aspectos da vida ficaram em segundo plano, desfalcados?

Muita gente trabalha tanto que não consegue investir em mais nada: não sobra tempo para cuidar da própria saúde, se divertir, descansar, aproveitar os momentos com a família ou com os amigos e se ocupar de projetos pessoais, por exemplo. Seu eu do futuro está aqui para abrir seus olhos: não deixe que o trabalho tome conta de toda a sua existência, você não se define apenas pelo que é profissionalmente.

Expresse mais os seus sentimentos

Existem vários motivos possíveis para a dificuldade — que muitas pessoas têm — de expressar os próprios sentimentos. Se você também tem esse bloqueio, o conselho do seu eu do futuro é cuidar disso o quanto antes. Se esconder atrás das emoções (especialmente as negativas, como raiva, culpa, mágoa ou frustração), além de contribuir para um afastamento das pessoas, é extremamente adoecedor.

Isso vale para os sentimentos positivos também. Manifestar a sua alegria diante de alguma conquista, ou demonstrar o seu amor e gratidão para as pessoas próximas é uma atitude muito recompensadora — e, além disso, tem o poder de estreitar os laços e tornar a vida mais leve.

Cuide bem das suas relações

De acordo com a experiência de Bronnie Ware, outro grande arrependimento dos pacientes terminais é ter perdido a maior parte das suas amizades ao longo da vida. Quanto mais os anos passam, mais as pessoas ficam envolvidas com suas próprias questões e acabam deixando de lado o contato com os amigos, se distanciando e afrouxando os laços até eles se desfazerem.

Além de cuidar bem de suas relações familiares, é muito importante separar uma parte do seu tempo e energia para investir nos seus outros relacionamentos. Um círculo de amizades sólido é fundamental não apenas para funcionar como um suporte nas horas difíceis, mas também para compartilhar momentos de leveza e alegria.

Planeje o futuro, mas seja feliz no presente

Planejar o futuro faz parte da vida. Programar-se e agir com alguma antecedência é essencial para alcançar todas as suas metas, sonhos e objetivos ou, até mesmo, para garantir um maior conforto e tranquilidade em outro momento.

Entretanto, o futuro é apenas um conjunto de expectativas que nós criamos — e é, no fim das contas, imprevisível. Portanto, não se angustie tanto diante daquilo sobre o qual você não tem controle. Mantenha-se sempre em contato com o “agora”: olhe ao redor, reconheça o que você já tem e não se esqueça de que ser feliz é uma escolha que só pode ser feita no presente.

Por tudo isso, é importante fazer uma reflexão sobre as nossas escolhas e atitudes ao longo da vida, além de refletir sobre alguns conselhos que o seu “futuro eu” poderia dar para você mesmo. Então, que tal aplicá-los em seu dia a dia para viver da melhor maneira possível e chegar à velhice sem grandes arrependimentos?

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