Estamos acostumados a ter a figura do pai como a pessoa mais forte da casa. Aquele que precisa estar sempre firme para manter a segurança e o suporte necessário para a sua família. “Homem não pode chorar”, “O homem não pode parecer fraco”, “Homem é forte, aguenta tudo no peito”, são frases muito comuns direcionadas a homens desde o início de duas vidas.

Claro, esses pensamentos não passam de mitos estabelecidos pela nossa sociedade. Esses mitos são sustentados pela imagem idealizada da masculinidade. Nesse sentido, imagine como fica a figura de um pai diante da perda de um filho?

Neste mês de outubro, conhecido como o mês da criança, o Memorial Vera Cruz buscou especialistas no assunto para trazer conscientização sobre a perda de crianças e bebês. Desta vez o assunto é a figura do pai em relação a perda de um filho. Quem conversou com a gente foi a psicóloga Eliane Dall Acqua, especialista em Psicologia da Saúde

A psicóloga entende que é necessário ter um olhar diferente para a figura do pai, pois existem vários tabus em volta dele. Acompanhe este artigo e descubra quais são esses tabus.

Sofrimento invisível

“Muitos pais sofrem de forma invisível a morte de um filho, por acharem que precisam ser fortes para dar suporte, para dar apoio para esposa e sua família”, relata Eliane. A psicóloga explica que o luto de um pai que perde um filho, na maioria das vezes, não é percebido e nem autorizado em nossa sociedade.

O luto não percebido é demonstrado em alguns fatores, como destaca a Eliane. Vale chamar atenção e tomar cuidado quando isso acontecer:

  •         O pai não demonstra fraqueza na frente da sua família e amigos;
  •         As outras pessoas não falam sobre a tristeza desse pai;
  •         Ele aparenta sempre estar “feliz”;
  •         Ele não vivencia o luto.

“Lidar com as emoções nunca foi algo que o homem aprendeu durante a sua vida. Muito pelo contrário, normalmente os meninos são estimulados a negarem as suas emoções”, esclarece Eliane.

Isso faz parte da nossa cultura que está enraizada. Por isso se faz muito necessário mudar este ponto de vista e começar a pensar de uma maneira diferente. O homem também tem o direito de sofrer o seu luto.

Olhar diferente para o pai

Já sabemos que olhar para o homem como alguém forte é uma questão cultural. Mas poder mudar o nosso olhar é essencial. Dizer que o pai também sofre, assim como a mãe, com a perda do seu filho é uma evolução muito significativa e que pode ajudar muito.

Precisamos olhar para a figura do pai como um ser inteiro, que também precisa de amparo e compreensão. Principalmente perante a perda de um filho, que torna o ambiente familiar mais pesado e a tristeza instaurada na rotina.

A nossa sociedade, de acordo com Eliane, precisa incluir o homem na parentalidade em todos os sentidos, principalmente nos momentos de dor e tristeza.

“O luto paterno deve ser validado para que o homem possa se ver e ser visto como alguém que não precisa ser forte sempre, porque também tem suas fragilidades e precisa ser acolhido e cuidado”, explica a psicóloga.

Falar sobre o luto é dividir a dor

Cada um vive o seu luto de forma individual. Mas neste processo, o pai pode sofrer tanto quanto a mãe. E isso até pode causar problemas no casamento, pois um tenta evitar a dor do outro

Por isso é importante dividir a dor e sempre procurar ajuda profissional. Conforme Eliane, é preciso viver a perda, respeitando o seu ritmo e limites. Além disso, é necessário haver união entre o casal, aceitar a condição do outro e se ajudarem mutuamente.

Depressão podendo entrar em jogo

“Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um pedaço de nós”, observa a psicóloga.

Se a tristeza não diminui e o pai não consegue retomar a sua vida normalmente e fica o tempo todo se sentindo culpado e infeliz, o problema se torna um luto patológico. Nesse caso, a depressão pode entrar em jogo. 

A relação entre pai e filho não termina com a morte, ela apenas se modifica. Sobreviver à dor é necessário. O fato de você ocultar a perda, não significa que o pai apagou da memória o seu filho perdido. É exatamente através desta dor que o amor vai se multiplicar.

O significado da figura do pai frente à perda de um filho é um assunto essencial de se tratar, especialmente agora, durante o mês da criança. Respeite e compreenda a dor do pai que perde um filho. Se coloque à disposição para ouvi-lo e faça-o entender que a dor dele é tão válida quanto a de qualquer outra pessoa.

Eliane Dall Acqua é psicóloga, formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF) e faz parte do Clube de conveniados do Memorial Vera Cruz

A psicóloga

Eliane Dall Acqua é psicóloga, formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Especialista em Psicologia da Saúde, também pela UPF e pós-graduanda em Psicologia Perinatal e da Parentalidade pelo Instituto Mater Online, referência na América Latina nesta área da Psicologia.

A profissional atuou como Psicóloga da Saúde durante 12 anos em uma Clínica Médica. Durante este período também trabalhou como Psicóloga Clínica em seu consultório particular. 

Desde 2018 trabalha exclusivamente com o público feminino. 

É uma das idealizadoras do projeto Maternando Afetos, onde oferece apoio emocional às mulheres que estão vivenciando o Ciclo Vital Materno – Mulheres que estão tentando engravidar, gestantes, mães que tiveram perdas gestacionais e neonatais e mães com filhos até os 3 anos de idade.

Eliane é uma psicóloga conveniada ao Clube de Benefícios do Memorial Vera Cruz e está disponível a todos os beneficiários do convênio. Se você é cliente do Memorial Vera Cruz, informe-se sobre a sua carteirinha do convênio e agende seu atendimento diretamente no consultório da psicóloga Eliane com benefícios exclusivos para você.

Gostou de ler esse texto? Conhece alguém que precisa mudar a sua visão sobre o assunto a figura do pai frente à perda de um filho? Deixe aqui seu comentário e sua opinião sobre o assunto.