Você já teve um caso de óbito na família? Se teve, sabe como um funeral pode se tornar caro. As taxas de endividamento causado por um funeral são altíssimas e geram inúmeros problemas. No entanto, poucas pessoas falam sobre os transtornos causados pela dívida de um funeral.

Neste texto, você vai acompanhar um caso real e terá acesso a um passo a passo para não deixar a dívida se tornar um problema. Siga a leitura!

Do luto à dívida

João Carlos é o 5º irmão de 10 filhos de um humilde casal. Em junho de 2017, eles perderam o pai, depois de um tempo longo de idas e vindas do hospital. O óbito, ainda por cima, ocorreu um dia antes do aniversário de 77 anos do patriarca da família. Infelizmente, não deu tempo de comemorar. A festa deu lugar ao luto.

A família, que não cogitava a possibilidade de óbito, não tinha nenhum planejamento para isso. Todos os serviços — contratação da funerária, compra do caixão, cremação, sala de velório, urna cinerária, entre outros — custaram alguns milhares de reais.

Assim como a maioria das famílias, a de João Carlos não tinha esse dinheiro para pagar pelo funeral do pai. Como a família era grande e era possível dividir a conta entre os irmãos, João Carlos fez todas as contratações em seu próprio nome e deixou cada irmão responsável por um boleto.

Parecia um bom plano, até que, alguns meses depois, ele recebeu a primeira cobrança. Ao verificar sua situação financeira junto à empresa, João Carlos descobriu que seus irmãos nunca pagaram os boletos.

O momento após um óbito é sempre difícil para a família. E o luto é um processo que não tem prazo para acontecer: cada indivíduo vive o luto no seu próprio tempo. No caso de João Carlos, o luto precisou ser interrompido para dar lugar a outro sentimento: a preocupação.

As consequências da dívida

O endividamento, por si só, já é um problemão. Como se não bastasse, dele surgem várias outras dificuldades normalmente imprevistas. Confira algumas das consequências abaixo:

Mais endividamento

Uma pesquisa do SerasaConsumidor revelou que 41 milhões de brasileiros estão dispostos a fazer empréstimos. Isso porque há uma tendência em se confiar na economia. Os bancos oferecem juros baixos e crédito fácil, o que faz muitas pessoas acharem que a solução para quitar uma dívida é fazer um empréstimo.

Acontece que essa é uma decisão perigosa para a saúde de sua vida financeira. Dependendo da negociação que você fizer, esse plano fará com que sua dívida vire uma bola de neve rolando colina abaixo.

Conflitos familiares

Dinheiro é um ponto fraco. E quando envolve endividamento, então, pode provocar conflitos graves. Num caso semelhante ao de João Carlos, o que ficou endividado vai culpar os demais, que irão culpar uns aos outros pela irresponsabilidade financeira e procurar justificar os erros cometidos. Isso gerará confronto e, em vez de oferecer apoio um ao outro, os familiares iniciarão uma guerra.

Negligência ao luto

Tudo bem que, de qualquer modo, você não poderá cancelar a rotina para dedicar todo o seu tempo ao luto. Inclusive, é por isso que muitas pessoas não vivem o luto, em todas as suas etapas, e sofrem por essa irregularidade, muito tempo depois.

Mas, além disso, quando há uma dívida que tenha a ver com o óbito, muitas pessoas tendem a misturar o caso financeiro com a perda do familiar, agravando os sentimentos de raiva e negação. Ou pode tornar a dívida o seu maior problema, como se a perda em si e a vivência do luto fossem fatos secundários, voltando-se também à negação.

Não que seja proposital, claro, mas é importante ter consciência de que um acontecimento não anula o outro. Assim como outras demandas da sua vida, essa questão financeira terá de ser resolvida de forma paralela à vivência do luto.

Traumas de longo prazo

Depois de passar por todas as situações anteriores, somadas à perda de alguém que você ama, a experiência será ainda mais traumática. Ao lembrar da perda que você teve, automaticamente seu cérebro irá ligar todo o seu sofrimento a esse conjunto de transtornos.

Dessa forma, não se trata somente da tristeza e do pesar, mas do estresse pelo qual passou. Fica na cabeça a impressão de que tudo pode se repetir a qualquer momento, a perda, o endividamento e todas as consequências negativas.

Como se proteger do endividamento ocasionado por um funeral?

Existe uma forma de se proteger de endividamentos ocasionados por funerais. Logo abaixo, citamos um passo a passo de como você deve fazer:

1- Tenha consciência sobre a morte

A morte, embora seja um mistério, chegará algum dia para todos. Conversar sobre o assunto dentro da família, além de ajudar a superar os traumas que você já tem, vai tornar o assunto mais propenso ao debate de questões importantes relacionadas ao óbito.

2 – Conheça os desejos dos seus familiares e exponha os seus

Vocês já conversaram abertamente sobre a morte. Então, agora o ideal é que vocês conversem sobre o que desejariam para si. Preferem o sepultamento ou cremação? Gostariam de ter alguma cerimônia de despedida?

É importante ter uma ideia do desejo de cada um para, quando chegar a hora, evitar surpresas negativas quanto aos custos e ter paz para confortar a família (é para isso que estamos trabalhando!).

3 – Considere contratações antecipadas

O passo anterior vai dar todo o suporte que você precisar para este. Depois de saber o que você e sua família querem, você pode pensar sobre a contratação antecipada. Geralmente, há grandes vantagens em relação ao pagamento: além de o valor ser mais baixo, as condições são melhores. Você pode parcelar em diversas vezes e ajustar a parcela no seu orçamento.

4 – Planeje os detalhes do funeral

Esta será a despedida do seu ente querido. Então, o desejo é de fazer o melhor. O ideal é planejar todos os detalhes e conhecer melhor quem você ama. As músicas, flores, cores e frases favoritas podem fazer parte de uma homenagem inesquecível.

Se você não está disposto a planejar esse momento, imagine na hora que o óbito ocorrer. Você sabe: um falecimento, na maioria das vezes, é imprevisível. Se você for pego de surpresa, pode não oferecer uma despedida que honre as memórias daquele que partiu.

5 – Organize seu orçamento

Cada família sabe das demandas que tem. Com isso, é possível elaborar o planejamento financeiro anual de uma forma completa e útil. Organizando as finanças, você pode incluir um plano funeral no orçamento.

Dessa forma, você paga por uma cobertura completa para não ter nenhuma preocupação burocrática ou financeira no momento do óbito de alguém. Assim, você respeita o seu luto e o de sua família, sem passar por situações complicadas, como as que João Carlos passou.

“João Carlos” é um nome fictício, mas a história é real. Nós contamos ela para mostrar a você o quanto a perda de alguém que amamos pode ser ainda mais difícil. Além disso, nosso alerta tem o intuito de fazer com que a sua não seja mais uma das famílias que deixam o luto de lado para sofrer com os aspectos burocráticos de um funeral.

Para isso, você também pode conferir a importância de viver o luto, neste outro material que preparamos em nosso blog.

Se você se interessa em saber mais sobre o que considerar no seu planejamento financeiro para o ano, pode acessar este conteúdo aqui. Boa leitura!