Qual é a sua relação com o Dia dos Namorados? Enquanto para alguns a data tem muito significado, outros não se apegam a datas comemorativas. Dentre as pessoas que consideram o Dia dos Namorados uma data memorável, há aqueles que guardam com carinho as memórias da pessoa amada que já partiu. Uma verdadeira demonstração de amor além da vida.

O Memorial Vera Cruz só existe devido à força do amor além da vida. No especial de 13 anos do Memorial, contamos um pouco sobre a construção do espaço. Agora, nesta data que representa tanto o que o amor pode fazer, trouxemos mais detalhes sobre a parte intangível do porquê o Memorial Vera Cruz existe.

Nas próximas linhas, você vai conhecer mais sobre o idealizador do Memorial e sua musa inspiradora. Continue a leitura e surpreenda-se com essa história!

Vidas memoráveis

Dalvino conheceu a esposa, Marizete, em Santa Maria, Rio Grande do Sul. Lá, começaram a vida a dois e, um tempo após, adotaram Passo Fundo como moradia. Aqui, nas terras do Planalto Médio, a família estabeleceu-se.

Dalvino Badotti

Dalvino Badotti tornou-se um aclamado médico ginecologista e obstetra. Ainda hoje, a comunidade comenta com carinho sobre os feitos do médico.

Em todo lugar, sempre há alguém para dizer “o doutor Badotti foi quem fez o parto dos meus filhos”. Dá para sentir no tom de voz a gratidão das famílias pelo trabalho do médico.

Marizete Badotti

A esposa, Marizete Alves Badotti, entre várias atribuições, tornou-se comerciante. Na rua mais bonita de Passo Fundo — a conhecida Morom — bem no Centro da cidade, ficava a papelaria Paper Shop, onde Marizete apresentava à comunidade muitas novidades e produtos diferenciados que as outras papelarias não tinham.

“A loja era linda demais. Tudo o que era novo e diferente, ela vendia lá. As decorações de Natal mais bonitas, os acessórios mais modernos… Tudo de melhor a gente encontrava na Paper Shop”, falou uma antiga cliente.

Porém, além da loja, Marizete tinha o carinho dos passo-fundenses pela vida ativa que teve junto a entidades beneficentes. Ela doava muito de seu tempo, disponibilidade e talento para ajudar aqueles que necessitavam.

Certo dia, veio o diagnóstico: câncer. A família uniu forças e esteve sempre ao lado de Marizete enquanto ela batalhava contra a doença, sempre com seu carisma contagiante.

“Ela era extremamente vaidosa. Andava sempre bonita, bem maquiada, cheia de acessórios. Quando os tratamentos a fizeram ficar careca, ela, ainda assim, não perdeu a alegria de viver. A campainha tocava e ela gritava ‘não abre a porta ainda, espere um momento’ e corria vestir a peruca”, contou um dos sobrinhos de Marizete, que acompanhou o processo de tratamento.

Em 24 de agosto de 2001, Passo Fundo recebeu com pesar a notícia de seu falecimento. Ela foi sepultada no Cemitério Municipal Vera Cruz e, a partir daí, nasceu a maior prova de amor que a comunidade poderia imaginar.

O luto

Fizesse chuva ou fizesse sol, sábado era dia de Dalvino visitar o túmulo de sua amada. Afinal de contas, eles construíram uma vida juntos. Junto do cãozinho da família, Mike, o médico seguia para o cemitério. Se o tempo estivesse firme, a garrafa térmica e a cuia de chimarrão o acompanhavam. No entanto, ele sentia que aquele local não fazia jus à pessoa dela.

O local era sujo e feio, o acesso até o túmulo era difícil. Segurança havia quase nenhuma. Além do mais, “acabava que ele se via em uma casa confortável e ela num lugar feio e que não era digno da pessoa dela”, conta um dos filhos do casal, Felipe Badotti.

Foi a partir da vivência do luto e da vontade de honrar a vida memorável que teve a sua esposa que Dalvino deu início a uma solução que ninguém jamais imaginaria.

A realização

Com esse pensamento, aflorou em Dalvino a vontade de fazer diferente. “Baseado nas necessidades dele e naquilo que ele viu que era o que a esposa dele merecia, ele acabou desenvolvendo um cemitério para ela”, relembra Felipe Badotti.

E foi então que em 2002 se iniciou a projeção do Memorial Vera Cruz (que, à época, chamava-se “Memorial da Paz”). Foram três anos de obras. Dalvino uniu seus esforços ao engenheiro Jorge Brol, com quem firmou sociedade.

Durante o período, houve muita expectativa por parte da comunidade, que, com olhares curiosos, viam a construção acontecer. E, no projeto, ia se desenvolvendo o maior e melhor cemitério vertical de toda a região.

Em 2005, com a obra finalizada, Dalvino pôde, finalmente, oferecer à esposa o local que ela sempre mereceu. Seguro, protegido da chuva e do vento, calmo e tranquilo, sempre limpo e organizado; um lugar realmente digno da pessoa que Marizete foi em vida.

A comunidade também ganhou um presente

Com a demonstração de amor além da vida que Dalvino fez a Marizete, não só ela ganhou seu local ideal de descanso, mas, assim, toda a comunidade pôde conhecer esse sentimento. Desde então, o Memorial Vera Cruz é o lugar mais procurado pelas famílias passo-fundenses com o intuito de honrar as memórias daqueles que partiram.

“É um lugar que traz paz e tranquilidade. Aqui, você sente que realmente está fazendo o melhor pelos seus entes queridos”, considerou uma cliente antiga do Memorial, onde já sepultou o marido e um dos filhos.

O fim de um ciclo

Obra do destino, assim que cumpriu com sua missão, Dalvino uniu-se à esposa no descanso eterno.

Seis meses após a inauguração do cemitério, Dalvino sofreu um ataque cardíaco que lhe foi fatal. Hoje, seu corpo jaz no túmulo ao lado do de sua esposa e ambos têm os lóculos mais visitados do Memorial Vera Cruz.

O filho mais velho do casal, Felipe Badotti, assumiu a administração do local, fruto do amor incondicional que ultrapassou as barreiras da tangibilidade: o amor além da vida estendeu-se à memória aos pais.

Você já conhecia essa história? Sabe de outra história de amor além da vida que merece destaque? Conte para a gente aqui embaixo nos comentários!